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Tesouro escondido
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A indústria brasileira de software vale ouro.
Só falta o mundo -- e o próprio Brasil -- ficar sabendo
disso
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Por Roberta Paduan
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Schmitt, da
Paradigma: vencedor de prêmio mundial da Microsoft
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Preste atenção nas três histórias a seguir:
· No mundo todo, não passa de dez o número de
empresas que desenvolvem sistemas de controle e defesa de tráfego aéreo --
uma das atividades mais dependentes de tecnologia que existem. A brasileira
Atech, de São Paulo, integra essa dezena. Seus sistemas controlam 80% dos
aviões que cruzam o país -- ela foi responsável pela integração do
bilionário e controvertido Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam). Na
América Latina, a Atech é a única a desenvolver esse tipo de sistema. As
demais fabricantes de software de controle e defesa de espaço aéreo são
sediadas em países como Estados Unidos, França, Inglaterra e Alemanha.
· Há dois anos, Gérson Schmitt, presidente da
Paradigma, de Florianópolis, esperava em Anaheim, Califórnia, diante de 5
000 pessoas de 60 países, o momento de receber da Microsoft a medalha de
melhor empresa latino-americana de comércio eletrônico. Surpresa: a empresa
de Bill Gates anunciou a Paradigma como ganhadora não apenas da medalha de
melhor empresa latino-americana mas também do troféu de melhor empresa
mundial do setor.
· Num encontro de segurança pública na Espanha, em
2000, policiais brasileiros perguntaram aos espanhóis de qual empresa
americana era o banco de dados que usavam. A resposta: não se tratava de
uma empresa americana, mas da Light Infocon, de Campina Grande, na Paraíba.
A Polícia Nacional e o Ministério da Defesa da Espanha usam o software
brasileiro desde 1999.
Agora ouça o que diz
Alice Amsden, professora de política econômica do festejado Instituto de
Tecnologia de Massachusetts (MIT): "A produção de tecnologia da
informação no Brasil é um dos segredos mais bem guardados do mundo".
Alice chegou a essa conclusão depois de avaliar o desempenho de 57 empresas
brasileiras que desenvolvem software e serviços relacionados. A pesquisa
faz parte de um estudo que compara as indústrias de tecnologia da
informação e comunicações de três países emergentes: Brasil, Índia e China.
Para Alice, o Brasil deve ser considerado uma das principais forças do
setor entre os países em desenvolvimento. "Mesmo desconhecido no
exterior, o software brasileiro está se transformando num tesouro",
diz ela.
Para muita gente, essa
afirmação deve soar exagerada. E não sem motivo. O cenário é desconhecido
não só pelos estrangeiros mas pelos próprios brasileiros. Poucos sabem que,
nos últimos anos, a indústria nacional de software deu um salto de
capacitação e competitividade. As empresas criaram novas tecnologias,
ajudaram a abastecer o mercado interno, aprenderam a competir e, muitas
vezes, a ganhar das multinacionais. De 1995 para cá, o setor cresceu à taxa
média anual de 11%, índice que equivale a cinco vezes o crescimento do PIB
nacional (veja quadro abaixo). Só nos últimos cinco anos, as empresas
estudadas por Alice cresceram em média 300%. Recentemente, elas até abriram
as portas do mercado internacional.
Na opinião de
especialistas, o software brasileiro não faz feio na comparação com o das
demais economias emergentes. "Observe a indústria de tecnologia da
informação do México, país que vive uma fase de ascensão econômica, é
vizinho dos Estados Unidos, pertence ao Nafta e tem renda per capita maior
que a brasileira", diz o português Francisco Veloso, professor de
gestão e política tecnológica da universidade americana Carnegie Mellon e
da Universidade Católica de Portugal. "Teoricamente, o México poderia
ser uma potência tecnológica, mas seu mercado equivale a um sétimo do
brasileiro." De acordo com Veloso, um dos indicadores fundamentais de
desenvolvimento da indústria de tecnologia brasileira é seu tamanho em
relação ao PIB nacional: 1,5%. Na Índia, esse índice é de 1,7%, e na China,
de 0,6%.

Até pouco tempo atrás,
o Brasil movimentava mais dinheiro com a indústria de software que a
própria Índia, geralmente citada como a grande potência emergente no setor.
Em 2000, por exemplo, o faturamento indiano com programas de computador era
de 5,8 bilhões de dólares, contra 7,3 bilhões da indústria brasileira. Em
2001, o Brasil foi o sétimo maior mercado de software do mundo, com 7,7
bilhões de dólares. Mas aí o mercado indiano já movimentava 8,2 bilhões de
dólares -- 6% mais que o brasileiro. Não há números fechados para 2002, mas
os especialistas ainda registram o Brasil em sétimo lugar, empatado com
China e Índia. O governo estima que, no ano passado, a comercialização de
software e serviços relacionados somaram 8,5 bilhões de dólares no país. Para
este ano, a previsão é de 9,2 bilhões. Tal resultado, quase 1,8% do PIB,
colocaria a indústria nacional de software em terceiro lugar entre as 500
maiores empresas brasileiras.
Por que, então, fala-se
tanto em software indiano? "A Índia obteve uma visibilidade
internacional importantíssima porque voltou sua produção tecnológica para a
exportação", afirma Veloso. Enquanto o mercado doméstico indiano
consumiu apenas 2 bilhões de dólares de software em 2001, as empresas
locais contabilizaram 6,2 bilhões em exportações. Já no Brasil, do total de
7,7 bilhões das receitas produzidas pelo software naquele ano, 6,7 bilhões
foram comprados por empresas brasileiras ou instaladas aqui, segundo dados
coletados para a pesquisa do MIT pelo Softex, um programa do governo de
incenti vo ao setor. As exportações de software brasileiras mal chegaram a
100 milhões de dólares em 2001 (sem contar os programas de computador
vendidos com outros produtos, de telefones celulares a aviões da Embraer).
É aí que moram a
oportunidade e a necessidade. "Se permanecermos locais, morreremos
aqui dentro", afirma Gabriel Marão, vice-presidente da Itautec,
empresa do grupo Itaúsa especializada em equipamentos e sistemas de
informação. Embora a Itautec esteja presente em Portugal há 15 anos
abastecendo o mercado de varejo com sistemas de automação comercial, nunca
teve como meta se expandir para outros países, nem pelo restante da Europa.
"Só agora os assuntos exportação e internacionalização são
considerados uma necessidade clara", afirma Marão.
A razão que levou a
Itautec a tentar se internacionalizar é mais do que concreta: trata-se de
ganhar ou perder negócios. Todo software hoje precisa rodar não apenas no
Brasil mas pelo menos na América Latina. E essa ficha não caiu só na
Itautec. Durante a apuração desta reportagem, praticamente todos os
entrevistados estavam com viagens marcadas para o exterior com o objetivo
de vender seus produtos lá fora. Dois executivos da Atech visitaram a
África numa missão organizada pelo Ministério da Defesa brasileiro para
apresentar empresas nacionais a governos e empresários de Angola, Namíbia e
África do Sul. Laércio Cosentino, presidente da Microsiga, especializada em
softwares de gestão empresarial, interrompeu uma entrevista às 17h30 de uma
terça-feira para ir às pressas ao aeroporto de Guarulhos rumo ao México,
onde teria, no dia seguinte, uma reunião com um potencial cliente. Paulo
Sahd, dono da RMS, especializada em sistemas de gestão e automação para
varejo, também atendeu a reportagem de EXAME com vôo marcado para o México,
onde a empresa tem uma subsidiária desde 2001 (a RMS mexicana foi
responsável, no ano passado, por 30% da receita total da empresa, ou 3
milhões de dólares).
CONDIÇÕES DE BRIGA Mas será que essas empresas
teriam condições de competir no exterior numa área em que o Brasil não tem
a menor tradição internacional? Aqui é preciso abrir um breve parêntese
histórico para compreender as características da indústria nacional de
software. A reserva de mercado do setor de informática, iniciada no regime
militar e encerrada apenas em 1992, foi responsável por um brutal atraso
tecnológico. Míope, a reserva foi incapaz de enxergar a natureza da
indústria da tecnologia da informação. Com o pretexto de desenvolver a
produção nacional de equipamentos eletrônicos, protegeu essa indústria sem
dar muita bola para aquilo que, fora do Brasil, era visto como a maior
fonte de riqueza no mundo da tecnologia da informação: não os computadores,
mas os programas que os faziam funcionar. Por aqui, o software nem era
visto como produto. Era dado como brinde pelas fabricantes de equipamentos.
Sem condição de
competir em escala internacional, a indústria de hardware que a reserva
ajudou a criar iniciou a década de 90 produzindo verdadeiras carroças
digitais e praticamente ruiu com a abertura. Mas foram, ironicamente, a
capacidade técnica dos programadores e o conhecimento acumulado pelos
empresários nos anos da reserva que fomentaram no país, ao longo da última
década, uma competitiva indústria local de software, pois programas de
computador dependem, mais que qualquer outro negócio, de cérebros para
absorver e criar conhecimento. "Hoje encontramos produtos e serviços
tecnológicos no Brasil que podem competir em qualquer lugar do mundo",
diz Veloso. Ele visitou pessoalmente oito empresas brasileiras durante a
pesquisa do MIT.
A afirmação de Veloso
não implica, em absoluto, que o software nacional vá sair por aí
enfrentando potências como IBM, Microsoft ou Oracle. Mas é preciso entender
que a indústria de software é, em certo sentido, tão vasta quanto a de
agropecuária, pois praticamente todos os processos de negócios podem sofrer
certo grau de automação. Assim como um país é mais competitivo no trigo,
outro no milho e um terceiro na soja ou no gado, também pode haver espaço
para o Brasil em nichos específicos de programas de computador. O jornal
espanhol El País, por exemplo, foi buscar em Belo Horizonte a empresa que
im plantou um sistema de busca em seu site, a Akwan (trata-se, por sinal,
do mesmo sistema usado pelos sites da Editora Abril, que edita EXAME). A
Akwan não está mais no El País, mas, graças às portas abertas na Espanha,
tem sua tecnologia em três bancos locais: BBVA, La Caixa e La Caja Segóvia.
Esse exemplo mostra que, do ponto de vista estratégico, é fundamental para
o país conhecer os setores em que o software nacional pode competir. Eis,
segundo nossa reportagem, os principais candidatos:
SISTEMAS FINANCEIROS A era das trocas freqüentes
de moeda e dos pacotes econômicos teve um lado bom: os anos de inflação
deram aos programadores brasileiros do mercado financeiro uma tarimba
invejável. Hoje o sistema financeiro brasileiro, integrado pelo Sistema de
Pagamentos Brasileiro, é um dos poucos -- senão o único -- no mundo a fazer
transações em tempo real para clientes comuns. Empresas como a EverSystems
são bons exemplos do sucesso das inovações voltadas para o cliente do
mercado financeiro. De 1991 a 2002, o faturamento da EverSystems foi de
zero a 32 milhões de dólares. Ela fez o primeiro home banking do Brasil
(para o Unibanco) e depois apostou em inovações, como o envio de
informações financeiras por pager ou o primeiro serviço de e-mail banking
do mundo (do Citibank). Sua lista de clientes inclui BankBoston, Santander,
Bank of America e Lloyd's TSB. No ano passado, 11 milhões de dólares das
receitas foram gerados por subsidiárias na Venezuela, no Uruguai, nos
Estados Unidos e na Argentina.
GOVERNO ELETRONICO É inegável a repercussão da
apuração eletrônica das eleições brasileiras nos Estados Unidos, sobretudo
diante do fiasco da recontagem manual dos votos da Flórida. No Brasil, nas
últimas eleições, a Justiça eleitoral finalizou a apuração dos 114 milhões
de votos em menos de 10 horas. Mas não é só isso. Fora o sistema de entrega
de declarações de imposto de renda -- atualmente realizada eletronicamente
por 95% das pessoas físicas e 100% das jurídicas --, em 1987 o governo
brasileiro tornou-se o primeiro no mundo a pagar todas as contas
eletronicamente. Desde então, é possível saber em que é gasto cada tostão
do Orçamento da União. Representantes dos governos de 50 países visitaram o
Brasil para conhecer o sistema por recomendação do Banco Mundial. O Brasil
também foi o primeiro país a colocar online, em 1997, todas as transações
de importação e exportação. "O governo eletrônico é uma área
particularmente importante, porque o Brasil já tem bandeira no
exterior", afirma Veloso. Trata-se de um segmento em que não apenas o
governo mas sobretudo as empresas brasileiras podem disputar negócios em
outros países. Na área de compras públicas, a catarinense Paradigma, aquela
que foi premiada pela Microsoft entre 800 candidatos do mundo todo, depois
de ajudar a criar 13 dos 20 portais de compras públicos do país, agora
nutre expectativas no mercado europeu. Outra empresa brasileira que atua
nessa área, a Vesta também recebeu em 2001 um prêmio na Europa pelo desenho
do ComprasNet, portal de compras do governo federal que movimentou
transações no valor de 2 bilhões de dólares em 2002. A Vesta já vendeu seus
sistemas aos governos da Bolívia e de El Salvador e tem três outros
contratos pendentes.
SEGURANÇA DA
INFORMAÇÃO Derivadas das necessidades tanto do setor financeiro quanto do
governo, várias empresas brasileiras se especializaram em segurança de
dados. O Citibank, por exemplo, só fechou contrato para instalar os
sistemas brasileiros nas subsidiárias na América Latina depois que uma
auditoria constatou que a EverSystems trabalhava com um nível de segurança
mais confiável do que o utilizado pela matriz americana na época. Um
cientista da Scopus, empresa de tecnologia do Bradesco, já ganhou um dos
maiores prêmios internacionais de segurança da informação. A carioca
Módulo, que atua no monitoramento das eleições eletrônicas, é outra com
potencial global no setor, embora já se tenha frustrado na primeira
incursão aos Estados Unidos. No ano passado, a Módulo faturou 28,5 milhões
de reais e atualmente, com 150 empregados, opera no mercado americano por
meio de associações com empresas locais.
TELECOMUNICAÇÕES Essa é outra área em que o
Brasil tem competência global. Um exemplo freqüentemente citado é o da
Trópico, de Campinas, empresa criada a partir do software para centrais
telefônicas desenvolvido no CPqD, braço da antiga Telebrás que ganhou
autonomia e se transformou num centro de excelência em pesquisa e
desenvolvimento. A central telefônica para pequeno e médio portes
comercializada globalmente pela Lucent também foi desenvolvida no Brasil,
numa parceria entre o Bell Labs e a Fitec, fundação privada com sede em Campinas,
Belo Horizonte e Recife.
Além das centrais, a
área de celulares também tem gerado oportunidades para programadores
brasileiros. A subsidiária brasileira da Motorola mantém em Jaguariúna, no
interior de São Paulo, cerca de 100 funcionários que trabalham na área de
desenvolvimento de chips empregados globalmente não apenas em celulares mas
também em eletrodomésticos como máquinas de lavar. Trata-se não do processo
fabril de produção dos chips (eles são fabricados no Japão), mas da área
nobre, a de programação e desenvolvimento. "Não ficamos só com a carne
de pescoço", diz o piauiense Armando Gomes, diretor de tecnologia e
desenvolvimento de semicondutores da Motorola. No ano passado, a família de
chips Nitron, projetada pela equipe de Gomes, foi escolhida como produto do
ano pela revista americana Electronic Products Magazine, uma das mais
importantes publicações mundiais do setor. Ainda na Motorola brasileira, a
área de desenvolvimento de software foi designada como centro de
competência de programas que permitem a troca de mensagens instantâneas por
celular. "Conquistamos nossa reputação ao entregar produtos de
qualidade dentro dos prazos", afirma Rosana Fernandes, gerente de
pesquisa e desenvolvimento de software para telefone celular. Desde o início
do ano, os chineses usam um programa de troca de mensagens por celular
desenvolvido no Brasil pela equipe de Rosana.
SOFTWARE DE GESTÃO Focadas em pequenos e médios
negócios, as empresas brasileiras de sistemas de gestão empresarial
conseguiram se tornar líderes desse segmento no país. Juntas, empresas
nacionais, como a paulista Microsiga, a mineira RM e as catarinenses
Datasul e Logocenter, detêm 60% do mercado nacional de sistemas integrados
de gestão, os ERPs, de acordo com a Pesquisa de Recursos de Informática,
realizada anualmente pela Fundação Getulio Vargas. Mais recentemente, essas
empresas também passaram a produzir sistemas de relacionamento com o
cliente (CRM) e de inteligência de negócios (business intelligence).
"Se conseguimos abastecer o mercado brasileiro, que é o sétimo do
mundo, temos condição de ir para fora", diz Cosentino, da Microsiga.
"Agora, o negócio é aprender a exportar." Dos 230 milhões de
reais faturados pela Microsiga em 2002, cerca de 18 milhões vieram de negócios
fechados no México, no Chile e na Argentina.
TERCEIRIZAÇÃO DE
MÃO-DE-OBRA Foi com o desenvolvimento local de software para clientes
estrangeiros, conhecido como offshore, que a Índia firmou sua marca
mundial. Depois de abrir o mercado de informática na década de 80 -- dez
anos antes do Brasil --, os indianos investiram na transformação de
programas criados para computadores de grande porte em sistemas que
pudessem rodar em máquinas menores. Em pouco mais de dez anos, a Índia
criou uma indústria de mais de 8 bilhões de dólares. Hoje, o setor está em
fase de reestruturação e quer assumir também desenvolvimentos mais
complexos. "Não é algo que se possa chamar de crise, mas a indústria
indiana também está frente a um desafio: tornar-se fornecedora de produtos
e serviços de maior valor agregado", diz Veloso. "Esse momento
abre uma oportunidade para empresas brasileiras com prática em serviços
mais complexos."
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O TAMANHO DO SETOR
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O Brasil é o sétimo maior mercado de software do mundo. Confira
os números dessa indústria
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· Vendas em 2002 8,5 bilhões de
dólares
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· Empresas* 5 400
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· Funcionários* 158 000
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· Importação em 2001 1 bilhão de
dólares
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· Exportação em 2001 100 milhões de
dólares
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*Ao final do ano 2000
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Em custos, o Brasil já
se equipara à Índia. Estudos recentes do Gartner Group e da International
Data Corporation (IDC), consultorias especializadas em pesquisa, afirmam
que o custo por hora de um programador indiano é de cerca de 24 dólares. Na
China, o valor varia de 10 a 24 dólares e, no Brasil, de 10 a 20 dólares.
Várias empresas nacionais já montaram as chamadas fábricas de software para
conquistar o filão da terceirização. A Stefanini, por exemplo, fechou
contratos nos Estados Unidos para desenvolver programas para Citibank,
Goodyear e Kimberly-Clark. Esta última, aliás, nem era cliente da empresa
no Brasil. Contratos estrangeiros respondem hoje por 15% da receita da
Stefanini, que foi de 172 milhões de reais em 2002.
Pode-se dizer sem
receio que se abriu uma nova janela de oportunidades para a indústria
nacional de software. Também surgiu, nos últimos anos, uma nova geração de
empreendedores pronta para aproveitá-la. Seu grande desafio é construir uma
marca que alie o Brasil à tecnologia da informação. "Se o Brasil se
concentrar nesses setores, tem grandes chances de dar o salto para o
mercado internacional", afirma Veloso. "Mas isso não quer dizer
que conseguirá, pois os esforços teriam de começar já." E há pela
frente um longo e apressado trabalho (leia a reportagem seguinte).
Por que esse esforço
deve ser feito? Por pelo menos dois motivos. O primeiro: o setor de
tecnologia da informação e das comunicações é um dos últimos mercados
globais de alto valor agregado ainda em formação e que, portanto, oferece
oportunidades aos emergentes. Segundo motivo: é nessa área que o Brasil
pode diminuir mais rapidamente o seu subdesenvolvimento, porque a
tecnologia da informação permeia todos os setores produtivos. Tome-se o
caso da Atech, empresa que fez a integração do Sivam e disputa mercado com
gigantes americanas e européias. Sua existência é prova de que o Brasil
reúne não apenas a capacidade de desenvolver software da maior qualidade
mas também a inteligência necessária para entender como a tecnologia pode
transformar e reorganizar a economia para obter ganhos reais de qualidade e
produtividade.
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